Ficou fácil viajar com crianças!

O nosso roteiro…de carro pelos Lagos Andinos: viagem da família Waldemarin Dias – Parte 2 (Argentina)

Convidada Especial | Helen Waldemarin – Blog Ninho de Jeripoca

Este post é a continuação da nossa roadtrip em família que começou em Santiago e passou por Pucon (parte I), de onde atravessamos a fronteira para a Argentina

Dia 08- Chegamos em San Martin de Los Andes (Argentina) no meio da tarde e fomos para o Apart Hotel La Bora. As crianças aproveitaram a piscina aquecida e jantamos no restaurante Dona Quela, onde tudo estava tão “arrumadinho” que fiquei com receio das crianças não serem bem vindas. Mas eles tem pratos infantis com copos de plástico coloridos (ponto positivo!) e, realmente, foi uma ótima escolha: o restaurante é muito agradável com um pianista, a comida é ótima e o atendimento excelente.
Preparei um livrinho de colorir para as crianças com vários desenhos temáticos da viagem, como animais, paisagens, pessoas com vestimentas típicas, etc, e sempre que íamos a algum restaurante cada um levava seu kit, com o caderno e estojo com lápis de cor. Esses kits foram nossa salvação nos restaurantes! 😉

Dia 09 – SAN MARTIN DE LOS ANDES – Tomamos o café da manhã na Abuela Goye, bem típico. Decidimos visitar uma das praias do Lago Lacar e optamos por ir a Quila Quina. Para chegar lá e necessário pegar a Ruta de Los Siete Lagos e após 5km entrar a direita, em uma estrada de rípio. São 12km de uma estrada de rípio em bom estado mas que pede atenção, pois tem muitas curvas acentuadas e trechos onde a estrada passa por ribanceiras sem proteção (guard rail). Pagamos as entradas na guarita do Parque Nacional Lanin. A praia Quila Quina fica em uma comunidade Mapuche dentro do Parque. Uns 500m após a guarita paramos no estacionamento, que já é pertinho da praia. Nesse local tem o píer onde param os barcos que vem de San Martin de Los Andes, banheiros, uma pequena loja de conveniências, um restaurante e algumas banquinhas com artesanato Mapuche.

Lago-lacar-argentina-san-martin-de-los-andesSeguindo para o lado direito dá para alugar caiaques e a praia é mais aberta (sem árvores).

Quila-quina-san-martin-de-los-andes-argentinaPara o lado esquerdo a paisagem já é diferente, com várias árvores perto da água e muita sombra. Escolhemos passear por esse lado…
lago-lacar-san-martin-de-los-andes-argentinaTinha muitas famílias: passeando, nadando, curtindo a praia. Mas como a área é bem grande e com bastante árvores, não passa a sensação de estar cheio e dá uma certa privacidade para cada grupo. Vimos muitas espécies de aves aquáticas, que chegam perto e foi bem legal explorar isso com as crianças. Escolhemos um local com uma sombra boa e ficamos um bom tempo: curtindo a paisagem e observando as crianças brincarem. É um lugar muito agradável para curtir e relaxar!

lago-lacar-san-martin-de-los-andes-argentinaQuando a fome apertou, “almojantamos” no restaurante do Parque e voltamos para San Martin. Na volta, ainda passamos no Cerro Chapelco para ver o pôr do sol.

=> Note que para chegar até a praia Quila Quina há também a opção de ir de barco desde San Martin com passeios organizados (fica algum tempo lá e visita outros locais) ou ir de barco por conta própria e ficar o tempo que quiser. Uma opção legal é levar uns quitutes e fazer um piquenique por lá 😉

Dia 10 – SAN MARTIN DE LOS ANDES – BARILOCHE: 190 Km (ver roteiro):
Pegamos a Ruta de Los Siete Lagos rumo a Bariloche. Esse caminho é tudo o que eu havia lido: lindo! A estrada vai beirando vários lagos e as paisagens são maravilhosas, com lagos, montanhas e florestas. Há vários mirantes ao longo do percurso e em diversos lagos tem opção de restaurantes.
Vista do Lago Machonico a partir de um mirante na beira da estrada.

Lago-Machonico-ruta-de-los-siete-lagos-argentina Lago Hermoso – para chegar até ele pegamos 2km de estrada de rípio. Tem opção de pousada e restaurante.

Lago-hermoso-ruta-de-los-siete-lagos-argentinaOptamos por pegar o caminho até a Villa Traful, que fica na beira do Lago Traful, para almoçar. A Villa fica a 25km da Ruta, por uma estrada em ótimas condições e boa parte dela beira o lago e é bem bonita. Na Villa há algumas opções de hospedagens, restaurantes e uma praça com brinquedos para as crianças. Deve ser bem interessante passar uma ou duas noites por lá, para quem curte natureza e sossego!

Villa-traful-ruta-de-los-siete-lagos-argentinaEscolhemos almoçar no Restaurante Lancu Nahuen que é muito simpático, com uma decoração rústica, de madeira. As trutas, especialidade da casa, estavam deliciosas e o atendimento apesar de um pouco lento, foi bom. Ao lado do Restaurante há um Salão de Chá, do mesmo estabelecimento, que serve lanches, cafés, tortas e chocolates. O parquinho fica ao lado do Salon de Té e depois do almoço as crianças se divertiram um pouco.
De volta à Ruta de los Siete Lagos, a vista do mirante pro Lago Correntoso.

Lago-correntoso-argentinaNo Lago Espejo, também tem restaurante com banheiros e aluguel de caiaques.
Já no trecho final, a Ruta passa pela Villa La Angostura e a partir daí vai beirando o Lago Nahuel Huapi por um tempo, e depois volta a se afastar da paisagem lacustre até chegar em Bariloche.
Chegamos em Bariloche no final da tarde e fomos direto fazer o check-in na Hosteria Antu Kuyen.
À noite, fomos até o Centro Cívico e lanchamos no Friends, que é uma opção bem interessante com crianças, pois é todo decorado com brinquedos e tem várias coisas que chamam a atenção.

Dia 11 – BARILOCHE: nesse dia fizemos o Circuito Chico. A primeira parada foi no Cerro Campanário. Queria muito subir ao Cerro e ver a vista tão indicada de lá, mas estava bem insegura em pegarmos o teleférico em 2 adultos e 3 crianças. Conversamos com o funcionário que embarca os passageiros e ele explicou que teríamos que nos dividir em duas cadeiras (1 adulto + 1 criança em uma e 1 adulto + 2 crianças em outra) e falou que ele pararia o teleférico para subirmos e descermos. Com isso, decidimos ir e foi ótimo! Foi realmente tranquilo: as crianças amaram o passeio de teleférico, e nós nos deliciamos com a vista!

cerro-campanario-barilocheCerro-campanario-barilocheDepois demos uma parada na Capilla San Eduardo, que é muito simpática e tem uma bela vista do Hotel Llao Llao, lago Nahuel Huapi e das montanhas no entorno. A próxima parada foi no mirante da Bahia Lopez e depois no Punto Fotográfico. Almoçamos na Cerveceria Gilbert, por indicação dos donos da pousada e gostamos bastante. Ela fica um pouco antes do Punto Fotografico, aproximadamente no meio do Circuito. O espaço é amplo, a comida e o atendimento são bons e as sobremesas maravilhosas! Tinha várias famílias com crianças. Depois do almoço visitamos o Parque de dinossauros, Nahuelito.

Parque-nahuelito-barilocheDemos sorte, porque chegamos bem na hora da última visita guiada. O guia, muito simpático e divertido, parava na frente da réplica de cada dinossauro e explicava tudo. Foi em espanhol, e eu ia traduzindo para as crianças. O parque é pequeno mas as crianças curtiram muito. Incluir esse parque no Circuito Chico é bem interessante quando estamos com crianças pequenas, porque o restante não é tão interessante para eles.
A ideia no final do dia, era ir até o Cerro Otto mas infelizmente o teleférico só funciona até às 18h, mesmo no verão, e não deu tempo.

Dia 12 – BARILOCHE: compramos uns lanches e partimos em direção ao Cerro Tronador e Ventisquero Negro. Eles ficam no Setor Mascardi do Parque Nacional Nahuel Huapi. O acesso de Bariloche até a entrada do Parque é feito por uma estrada asfaltada, que, em um trecho, beira o Lago Gutierrez e depois o Lago Mascardi. Na ida, fomos direto, para chegar no Parque antes das 10h e podermos ir primeiro à Cascada Los Alerces e depois ao Cerro Tronador. É importante estar atento com os horários se for fazer este passeio por conta própria, pois as estradas dentro do Parque são estreitas e tem um esquema de rodízio da mão de trânsito. Em um horário só é permitida a ida, em outro a volta. Chegamos na guarita do Parque exatamente às 10h (eu tinha visto que esse era o horário limite para pegar a estrada em direção a Cascada Los Alerces, que só reabre para ingresso às 14h). Mas lá, fomos informados de que ainda teríamos 9km de estrada até chegar à estrada de acesso de Los Alerces, e que esse horário de 10h era a partir de lá 🙁
Fica a dica, se quiser ir até Los Alerces antes: planeje chegar na entrada do parque até as 9h, por garantia!
Com isso, decidimos seguir direto ao Cerro Tronador, com calma, parando em todos os lugares na ida, para ocupar bastante o tempo, já que só poderíamos descer à partir das 14h.
A estrada é de rípio, estreita, mas de forma geral está em boas condições. O único porém é que devido ao período de seca extrema, a quantidade de poeira era bem grande! Atenção alérgicos! E ainda havia muitas vans de passeio, então a poeira foi realmente intensa e tínhamos que andar com o vidro do carro fechado.
O caminho, durante um bom trecho, beira o Lago Mascardi, que tem um daqueles tons verde-azulado típico das fotos dos lagos andinos. Conta com mirantes bem estruturados, como o da Isla Corazon, outros mais adaptados e alguns escondidos, como o píer que guarda uma vista linda do Lago!

Lago-Mascardi-barilocheO tempo todo a vista é linda! É ate difícil saber para onde olhar: lago, floresta, montanhas, flores, formações rochosas super interessantes! Passeio maravilhoso!
Lago-Mascardi-BarilocheComo vimos várias vans paradas na Pampa Linda, que é um ponto que conta com restaurante, banheiros, etc, optamos por seguir direto para o Ventisquero Negro com a esperança de pegar o local menos cheio.
O Mirante para o Ventisqueiro Negro tem escadas de madeira e cercas de proteção, além de alguns bancos.
De lá é possível ter uma linda vista do Cerro Tronador e do Ventisquero Negro (a geleira negra) e do lago com pedaços de gelo negro flutuando.

cerro-tronador-barilocheVentisquero-negro-barilocheDepois de tirar muitas fotos, quando estávamos voltando ouvimos um estrondo! \o/ É o barulho típico do gelo se quebrando e o motivo do nome Cerro Tronador (que vem de trovão).
Na volta, leve perrengue de viagem: o nosso pneu estava furado. Felizmente todas as ferramentas necessárias estavam no carro e o estepe estava ok (não tínhamos checado a fundo esses itens quando pegamos o carro).
Após concluída a troca do pneu seguimos por mais 2km pela estrada até a Confiteria Ventisquero, que fica na base do Cerro Tronador. Ali, é tudo bem limpinho e tem banheiros. Comemos o nosso lanche e pegamos a trilha que vai até a base do Cerro: a Garganta Del Diablo.

Garganta-del-diablog-cerro-tronador-barilocheO trecho inicial da trilha vai por dentro da floresta e é amplo, então foi tranquilo com as crianças. Essa parte termina em um riacho de pedras bem bonito, de onde se tem uma vista do Cerro, das montanhas no entorno, além do vale para baixo. A partir daí, a trilha é mais íngreme e estreita, com trechos com bastante pedras. Mas vimos várias famílias com crianças e algumas com bebês. Como éramos dois adultos e três crianças, em alguns momentos ficou um pouco complicado, mas várias pessoas nos ajudaram. Esse trecho termina bem embaixo do Cerro Tronador, e a vista dele, com diversas cachoeiras de degelo, é incrível! Retornamos até a Confiteria, comemos alfajores e uma torta de morango para retomar forças e descemos de carro até a Pampa Linda, onde as crianças tinham visto um parquinho, mas infelizmente a manutenção estava péssima. Pegamos a estrada de novo, mas a essa altura, quase todas as vans e ônibus já tinham descido e a estrada tinha muita poeira! Ainda bem que paramos nos mirantes na subida, porque na descida teria sido impossível! Eram tantas vans e ônibus, que chegamos a pegar um leve “engarrafamento” na volta.
Como já era tarde, decidimos não ir até a Cascada Los Alerces. Voltamos para Bariloche, consertamos o pneu e fomos jantar no El Boliche Del Alberto, na Bustillos. Excelente!
Quando chegamos na Hosteria, acertamos o passeio de Catamarã para o Bosque Arrayanes y Isla Victoria para o dia seguinte.

Dia 13 – BARILOCHE: Fomos até o Centro Cívico para ver os cachorros São Bernardo com as crianças.
Depois, seguimos para o Puerto Pañuelo para pegar o catamarã. Optamos pelo passeio mais curto, pois o dia anterior já tinha sido bem intenso. Na primeira parte do passeio ficamos na parte de fora do barco, vendo as paisagens e gaivotas, e dando biscoitos para as aves, conforme a tradição.

catamara-para-bosque-de-arrayanesDepois entramos na parte fechada, que tem várias poltronas com mesas. O catamarã também tem banheiros e uma lanchonete, que vende bebidas, biscoitos, alfajores e sanduíches frios. A primeira parada do passeio foi no Bosque de Arrayanes. Tem uma trilha em passarelas de madeira que atravessa o bosque, mas como o tempo de parada é curto, e estávamos com as crianças, optamos por fazer apenas uma parte do percurso e voltamos para o píer.

bosque-de-arrayanes-barilocheDali o catamarã seguiu ate a Isla Victoria onde fez uma pausa de 1h e meia. Há duas opções de passeios: uma trilha que percorre a ilha ou um passeio na Playa de Toros. Ficamos com a segunda opção. Saindo do píer tem uma trilha pequena e bem simples que segue até a praia e passa por um local com pinturas rupestres. As crianças adoraram ver desenhos dos homens das cavernas, igual ao filme “Os Croods”. 🙂
Isla-Victoria-barilocheA Playa de Toros é bem bonita e as crianças quiseram brincar na água (leve roupa de banho e muda). Outro ponto a considerar é que na Playa de Toros não tem banheiros nem nada para comprar, então é importante ir preparado.

Isla-Victoria-barilocheO retorno do passeio até o porto foi tranquilo e com muitas paisagens bonitas.
Depois, aproveitamos o final da tarde para conhecer a Catedral de Bariloche no Centro Cívico e jantamos no Restaurante Familia Weiss, que tem ótimo atendimento, um ambiente super agradável e comida maravilhosa!

No dia seguinte, pegamos a estrada e voltamos para o Chile, o que eu conto no próximo post! 😉

Leia também:
O nosso roteiro…de carro pelos Lagos Andinos: parte 1 (Chile)
O nosso roteiro…de carro pelos Lagos Andinos: parte 3 (Chile, Chiloe)
O nosso roteiro no…Chile e Argentina: Santiago, Mendoza, Bariloche e Pucon.
Bariloche com crianças

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Sut-Mie Guibert, Family Travel Blogger, Blogueira especializada em Viagens em Família, com crianças e bebês. Jornalista e mãe de duas meninas de 5 e 2 anos, adora levar as crianças para conhecer o mundo! Mas também gosta de escutar e falar sobre o assunto com outras famílias, que são sempre bem-vindas por aqui!

4 comentários para este artigo

  1. Zudi Dadalt disse:

    No momento que estou pensando em fazer uma pesquisa para uma nova viagem ao Chile, desta vez para o sul, recebo este roteiro pronto. Muito bom!

  2. Joana disse:

    Olá!

    Adorei o itinerário da Helen Waldemarin e sua família. Estou montando um também para viajar com minha família em dezembro desse ano. Fiquei curiosa para saber o relato do resto da viagem da Helen quando ela retorna ao Chile e vai para Puerto Montt e Chiloé, pelo que pude ver pelo mapa que ela fez. Gostaria muito de saber sobre essa parte da viagem. Não há relato dela? Caso haja, por favor me envie o link, pois não visualizo aqui na página.

    Grata,
    Joana Fumes

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