Ficou fácil viajar com crianças!

Famílias Viajantes: Cláudia, Marlon Pegoraro e Felipe, o pequeno Viajante!

Ninguém melhor do que a família Pegoraro para estrear esta nova série no blog, a de Histórias de Famílias Viajantes, onde vamos descobrir famílias para nos inspirar a colocar o pé na estrada! Se vocês lembrarem, eles já ganharam um concurso de foto por aqui: com esta foto espetacular!

285750_413906278696221_197627590_nClaudia e Marlon Pegoraro são pais do Felipe, que tem quase 4 anos e mais de 26 países em sua bagagem! Isso mesmo que vocês leram e que eu vou repetir: vinte-e-seis países!!
Juntos, já foram para

O simpático Felipe começou a viajar com poucos dias, a primeira viagem foi para Montevidéu e Punta del Este, no Uruguai, onde fica a segunda casa da família. Mas a viagem grande mesmo, de avião, foi feita quando ele tinha 3 meses, para os EUA e Canadá. “Foi muito fácil viajar com ele naquele roteiro, especialmente porque meus pais foram junto e viajamos de carro pela Nova Inglaterra, o que facilita bastante as coisas, além de ser primeiro mundo, você encontra tudo que precisa para criança com muita facilidade. Conseguimos até assistir shows de jazz no Blue Note, e na Broadway (Mamma Mia). Ele parece ter curtido bastante a viagem. Claro que ele não lembra nada (imagino eu!), mas ele deve ouvir a gente comentando, porque esses dias ele disse para a babá: “O Lipe tava lá em Nova Iorque com a mamâe e o papai!”

Para Cláudia e o Marlon, a melhor viagem é a maior!Quanto mais longa a viagem, melhor! No ano passado ficamos 5 meses rodando pelo mundo com o pequeno viajante e foi bom demais! Andamos por 16 países, principalmente no sudeste asiático, fizemos a viagem pela ferrovia transiberiana e não tivemos nenhum problema digno de nota, ele não adoeceu nunca (nós dois tivemos várias diarréias de viagem e ele não!). Para mim, uma das melhores experiências naquela viagem foi o dia que passamos com os elefantes, em Luang Prabang, no Laos. O Felipe se divertiu bastante dando bananas na boca do elefante e nós dando banho neles no Rio Mekong, acho que foi um dos melhores momentos da minha vida!” Agora, estamos planejando uma viagem no inverno para Bariloche, para o gordinho conhecer a neve! Ele vê as nossas fotos esquiando e relaciona com um filminho que ele adora, dos Backyardigans, que se passa na neve, e agora resolveu que quer “ir na neve com a mamãe e o papai”…como a gente adora esquiar, vamos levar ele neste ano e ver se ele já consegue parar em cima de um snowboard!”

DSC03007Engana-se quem acha que eles nunca passaram por um aperto! Em tantas viagens, é claro que já tiveram alguns perrengues: “Muitos, sem eles não teria graça, nem histórias para contar! Já passamos por um terremoto em Jakarta, na Indonésia, o Felipe teve um febrão a caminho de Bodh Gaya, na Índia, por causa do calorão que fazia no trem, um trem russo em que íamos embarcar se acidentou pouco antes do nosso embarque e tivemos que ficar esperando na estação de trem de Novosibirsk muitas horas até o outro chegar, pegamos uma enchente por causa das monções na chegada em Agra, onde ficamos ilhados com o Lipe num riquixá, em Varanasi as monções também deixaram a cidade imunda, enfrentamos milhões de pessoas nas ruas de Londres no dia do casamento do príncipe, enfim, os perrengues são intermináveis… Os piores era quando tínhamos que acordar de madrugada para pegar um trem ou avião e sair no meio da madrugada com o Lipe dormindo pela rua, pobrezinho, dava um aperto no coração, ou então naqueles momentos em que tínhamos que correr para embarcar e o guri resolvia dar piti…mas o único que foi punk mesmo foi quando ele cortou o dedo andando de bicicleta em Gili Island, um paraíso nos confins da Indonésia. Foi a única coisa mais grave que nos aconteceu, e justamente num lugar onde não haviam recursos na área de saúde, mas tudo terminou bem e temos certeza de que fomos mais bem atendidos do que se estivéssemos em casa, até pq é mais fácil uma criança cortar o dedo na bicicleta em casa do que numa viagem, né?”

DSC00603A melhor dica que o casal pode dar aos pais que ainda hesitam é: começar logo! “Quanto mais se enrola, mais preguiça dá! As pessoas começam a se acomodar, ficar com medo…se a gente começa a viajar com eles desde pequenininhos, eles nem se acostumam com a rotina, e daí não precisam dela! E comecem devagar, aos poucos, fazendo viagens curtas, de carro (que dá para ir parando onde se tem vontade, de acordo com as necessidades do bebê), perto de casa, em lugares “civilizados”, com bastante acesso às coisas, até ir criando coragem para se largar em aventuras maiores.”

Hoje, o que o Felipe mais adora durante as viagens é andar de avião e de trem. “Nunca temos trabalho com ele num avião. E no trem é ótimo porque ele pode andar pra lá e prá cá, fazer amigos e tal. E ele sabe que quando a gente está viajando, não tem feijão com arroz, então ele se aproveita e pede toda hora a comida preferida dele, nuggets do Mac. É só ver aquele M amarelo que ele já começa a pedir! Mas o que ele mais gosta mesmo, é que durante as viagens ele fica grudado conosco o dia inteiro, tem a nossa atenção 24 horas, o que seria impossível em casa…”

E como vai ser quando ele realmente começar a escola? “Não gosto nem de pensar nisso! Aliás, ele já está na escolinha, e com uma certa dificuldade de se adaptar, até porque ele nunca teve rotina. Mas a gente acaba assumindo essa culpa porque tem certeza que ele também retira coisas muito positivas dessas viagens todas conosco. Agora em março passado, fomos para o nordeste, e não levamos ele, justamente porque ele estava em período de adaptação na escola – foram 10 dias de muita saudade. Mas um mês não tem como ficar longe…quando ele for maior, pretendemos fazer viagens que interessem a ele (Disney, etc) durante as férias escolares e fazer viagens mais curtas (tipo 15 dias) sem ele.”

DSC_8293Qual a comida/fruta mais exótica que ele já provou/gostou?Ih, foram tantas! Com certeza a comida mais exótica que existe é a indiana. Claro que na China, por exemplo, tem todos aqueles insetos fritos, no Vietnam os cachorrinhos, mas aquilo não é a comida que eles comem no dia a dia. Mas o Felipe é bom de garfo, come de tudo, e mandava ver naquelas comidas apimentadíssimas. Um episódio engraçado aconteceu num trem a caminho de Agra, quando uma guriazinha indiana ofereceu a ele salgadinhos, tipo Baconzitos, e ele pegou um monte, olho grande, bem feliz, e depois cuspiu tudo, porque, como tudo na Índia, eram apimentadíssimos! No video da Colômbia, ele aparece comendo tamales, que é uma comida típica colombiana à base de arroz – foi uma comida ótima para ele naquela viagem, já que ele ainda era bem pequenininho…”

Um episódio/anedota durante uma viagem? “Um episódio engraçado aconteceu em Kathmandu, no Nepal, no templo de Swayambunath: brincando com os macacos, que são comuns por lá, um deles se grudou na camiseta do Lipe! Ele levou um mega susto, e nós também, mas o macaco só queria brincadeira! Já na China, o pequeno viajante criou aversão por máquinas fotográficas, porque os chineses não estão acostumados a ver crianças ocidentais (acho eu) ao vivo e a cores, então ficavam enlouquecidos com o Felipe – quando a gente percebia, tinha 20 pessoas na volta dele, apontando com a máquina fotográfica e o pior: querendo que ele fizesse gracinhas para as fotos! Ali eu entendi perfeitamente como se sentem as pessoas famosas querendo proteger os filhos contra os paparazzi!”

DSC_46513 dicas essenciais para viajar com crianças?Paciência, energia e muita força de vontade, que se traduz em um amor muito grande pelas viagens. E mais: levar DVD portátil, os brinquedinhos pequenos preferidos, os remédios que a criança está acostumada a usar em casa, tomar apenas água engarrafada e lacrada, e priorizar o bem estar da criança, o que não significa que você não vá poder descer a muralha da China de tobogã – superproteção não funciona numa viagem com crianças! O cuidado tem que ser limitado ao que é impossível de se fazer com crianças, porque se você ficar limitando demais, não deixar a criança tomar banho de chuva, subir nas árvores, ou provar as frutas locais, a viagem perde a graça!

3 melhores lugares para viajar com crianças? “Acho que é um equívoco pensar que existem lugares “melhores” para viajar com crianças. É justamente pensando assim que as pessoas acabam limitando os filhos a conhecerem apenas a Disney, praias, parques temáticos, resorts…eu acredito que qualquer lugar é bom para criança, até porque em todo lugar existem crianças, e onde tem criança certamente haverá tudo o que uma criança precisa para viver. Quem imaginaria que o Laos seria tão bom para crianças? Banhos de cachoeiras, trilhas, elefantes, cavernas, ótima comida e ótimos hotéis a preços baratíssimos…E o contrário também é verdadeiro: em Cingapura, estavamos animadíssimos, porque levaríamos o Felipe num dos melhores zoos do mundo e também nos Universal Studios, onde tem o brinquedo do Madagascar, que ele adora – pois ele detestou, ficou com medo e não achou a menor graça! Ou seja, a gente nunca sabe o que vai atrair a atenção da criança, o jeito é envolvê-la em todos os passeios, sejam na Estônia ou na Escócia, Malásia ou Mianmar (onde ele adorou passear de charrete pelos templos de Bagan!)…se a criança estiver com os pais, estará bem em qualquer lugar!”

O que as viagens tem formatado no caráter/jeito de ser do Felipe? Na primeira viagem que fizemos com o Lipe, em North Conway, uma cidadezinha no meio de New Hampshire, comprei uma plaquinha que diz: “Children learn what they live (as crianças aprendem o que elas vivem), e esse é o nosso mantra. Se as crianças viverem o respeito às outras culturas, ao meio ambiente, a outros hábitos, a curiosidade por outras maneiras de viver, outras comidas, outras línguas, é isso que elas vão aprender, é nisso que elas vão se tornar. Uma criança que faz amigos na Rússia, na China e na Índia nunca vai querer fazer guerra, porque ela vai ter amigos nesses lugares. Ele pode não LEMBRAR, mas vai ver as fotos e vai SABER. Uma criança que conhece as Cataratas de Iguaçu e Milford Sound, na NZ, vai aprender a respeitar o meio ambiente. Uma criança que brinca com os golfinhos em Noronha, aprende a gostar dos animais. Tenho uma foto do Lipe na Mongólia, em um acampamento que fizemos com os nômades num ger (yurt), em que ele aparece brincando com um gurizinho mongoliano – eles não trocaram uma palavra o dia inteiro, mas passaram horas jogando bola, superamigos – a linguagem da amizade é universal. Por menor que ele seja e que não vá se recordar do que viu, não acredito que todas as coisas/experiências que ele já viveu conosco na estrada não deixem uma marca nele.”

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Não deixem de clicar em todos os links (sublinhados) que levam aos posts detalhados desses episódios!

Obrigada Cláudia, Marlon e Felipe por nos contar todas essas experiências! Adoro acompanhar vocês!

Para todos aqueles que ainda hesitam, tem medo e buscam inspiração, não deixem de seguir o Blog Felipe, o Pequeno Viajante | Facebook | twitter | instagram | YouTube (muitos vídeos de todas estas viagens)

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Sut-Mie Guibert, Family Travel Blogger, Blogueira especializada em Viagens em Família, com crianças e bebês. Jornalista e mãe de duas meninas de 5 e 2 anos, adora levar as crianças para conhecer o mundo! Mas também gosta de escutar e falar sobre o assunto com outras famílias, que são sempre bem-vindas por aqui!

5 comentários para este artigo

  1. Cris Marques disse:

    Que história linda dessa família! Já visitei várias vezes o blog do Felipe e adoro. E ele? Que fofura de criança!!!
    Parabéns pelo post.

    Bjooo
    Cris

  2. Juliana Lacerda disse:

    Adorei a entrevista! A Claudia é muito bacana, e essa família viajante é uma grande inspiração!
    🙂

  3. Claudia disse:

    Vim ler de novo a entrevista e estou en-can-ta-da! Parece que tu conhece o blog inteiro! Tu achou links para todos os assuntos que a gente conversou! Que incrível, quanto trabalho! Obrigada de novo pelo carinho, chère amie!

  4. Adorei! Adoro ler e reler as viagens da Cláudia! São realmente inspiradoras! E a dica de começar o quanto antes é a melhor! Bjoo

  5. Lilian disse:

    Que delicia de post!!!!
    Super inspirador!!!
    Também amo viajar em viajar em família e também acredito q o melhor lugar pra criança sempre será ao lado dos pais.

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