Ficou fácil viajar com crianças!

Japão com bebê: as dicas do Pedro (5 meses) e dos seus pais.

Convidado Especial – Rafael Castilho, Blog Voos e Destinos

Parece loucura viajar para o outro lado do mundo com um bebê? Você teria coragem de encarar cerca de 24 horas de voo até a Terra do Sol Nascente? Se você relaxar, se programar e fizer uma parada técnica, é possível que dê tudo certo. Foi com estes passos e confiança que encaramos o desafio. E hoje não vemos a hora de regressar ao Japão.
Abaixo contamos um pouco dos momentos que antecederam e o que encontramos naquele país, que hoje não defino como sendo de Primeiro Mundo. Para mim, lá é “outro Planeta“, onde respeito, história e cidadania tornam sua experiência inesquecível! Acredito que meu relato lhe ajudará a criar coragem de encarar a longa jornada e lhe dará muita vontade de conhecer o Japão.

Monte Fuji visto do avião

 

CHECK LIST PARA VIAJAR COM UM BEBÊ

A ideia de viajar para o Japão surgiu três meses antes do embarque. No primeiro momento não havia um destino definido, mas queríamos fazer uma viagem antes do Pedro iniciar a alimentação com papinhas e frutas. Além disto, buscávamos um lugar com facilidades para passear de carrinho e com grande infraestrutura para receber bebês. A ideia seria a Europa, mas encontrei com milhas uma viagem para a terra do sol nascente. O grande empecilho era as horas de voo, ainda mais embarcando com uma criança de apenas 5 meses.

Com as passagens em promoção para os Estados Unidos, encontrei o roteiro perfeito com parada técnica para o descanso em Detroit. Ticket comprado. Agora o planejamento de viajar com um bebê tomou conta de todo o nosso tempo nos meses que antecederam a viagem. Abaixo segue um check-list para planejar:

Primeiro passo – no nosso caso, tranquilizar a mãe que a viagem dará certo e que o bebê não terá nada. Aqui temos que contar com o nosso feeling e sorte… 🙂

Segundo passo – falar com o pediatra. Apesar do susto dele, o médico foi tranquilo e nos encorajou.

Terceiro passo – retirar o passaporte e os vistos do bebê. A maior dificuldade é conseguir uma foto perfeita da criança que não fica quieta. Nós conseguimos somente com ele deitado no trocador. Você pode levar o bebê em algum fotógrafo que tira a foto no bebê conforto mesmo ou usar um aplicativo de fotos de identidade em casa.

Um empecilho, como paramos nos Estados Unidos, foi emitir o visto que vale por 10 anos, mas o passaporte brasileiro de bebê menor de um ano, apesar de taxa de emissão igual de adulto, tem validade de apenas um ano. O visto japonês foi tranquilo, pois tudo estava atrelado aos pais, além de ser bem mais barato que o americano, vale por apenas 3 meses após a emissão. Defina se usará apenas por uma ou duas entradas. Nacionalidades europeias não precisam de visto japonês.

Quarto passo – espaçar mais os passeios. Somos um casal viajado e muitas vezes fomos obrigados a conhecer regiões em menos de 24 horas, mas com o bebê sabíamos que tudo seria diferente. Então, aumentamos os dias que ficaríamos em cada cidade. Em nenhum lugar, mesmo que não tivesse muita coisa para conhecer, não ficamos menos de duas noites. Em Tóquio foram 6 noites.

Quinto passo – escolha dos hotéis. Pense, que além de carregar as malas, você terá que empurrar um carrinho de bebê e outras coisas mais, então, escolha hotéis de fácil acesso. Se estiver perto de metrô, escolha um onde fará menos trocas de linhas para chegar ou ir ao aeroporto. Outra questão, que identifiquei ao procurar alojamento, é que há hotéis no Japão que funcionam como nossos Motéis e não aceitam crianças. Estes hotéis muitas vezes aparecem na lista de busca do hoteis.com e do booking.com, então cuidado.

Apesar de vasta lista de hotéis e pouca informação em qual bairro ficar em Tóquio, escolhemos Ginza, uma decisão perfeita para quem busca praticidade com bebê e conforto.

Sexto passo – vacinas. Veja se o país a ser visitado não exige alguma vacina específica, alguns pedem febre amarela. No Japão não foi pedida nossa carteira.

Sétimo passo – roupas adequadas. Viajamos para o Japão no início da primavera. Apesar do sol, a temperatura não passava dos 15 graus e muitas vezes se aproximava de zero. Veja se o bebê tem roupas para aguentar o frio. Uma capa de plástico para o carrinho também é imprescindível.

Oitavo passoberço a bordo. Para conseguir utilizá-lo você deve reservar as primeiras fileiras do avião. Mas o Pedro odiou, pois além de ser um pouco apertado, há uma capa com cinto que deve ser fechada toda vez que bebê estivesse no berço. Tudo pela segurança, mas o Pedro ao acordar e ver que estava fechado começava a gritar. (berço no avião chama Bassinet em inglês). Mas mesmo assim foi bom, pois deu para deixá-lo no berço mesmo que fosse para brincar, dando descanso para os nossos braços. Para nós adultos a fileira é péssima, pois não há lugar para esticar as pernas.

 

A VIAGEM DE AVIÃO

Na hora do embarque, a prioridade é para os bebês. Dentro do avião fomos recebidos com grande gentileza pelos comissários da Delta e o piloto até chamou o Pedro para conhecer o cockpit. Assentos tomados e lá fomos nós rumo ao Japão, mas antes uma parada em Detroit nos Estados Unidos, cerca de 10 horas de voo. A Delta disponibiliza comida especial para bebês e crianças que devem ser pedidas com até 48 horas de antecedência. Como o Pedro só estava com o leite, só utilizamos a água quente da aeronave após o término da nossa garrafa térmica. Apesar das proibições do carregamento de líquidos em viagens internacionais, e principalmente nos Estados Unidos, água para mamadeira e pomadas para bebês estão liberadas após checagem policial.

 

A CHEGADA A TÓQUIO

A imigração japonesa funciona bem e não tivemos problema algum para entrar. A fila para pessoas com crianças de colo é respeitada. Ou melhor, quais direitos são desrespeitados por lá? Nenhum é claro. Respeito total ao cidadão. E isto que você sentirá em toda sua estadia.

Do Aeroporto de Haneda até o centro de Tóquio o acesso é fácil de metrô que sai do subsolo do terminal de desembarque. A tarifa varia para cada região da cidade. Pagamos cerca de US$ 8 até Ginza, onde ficava nosso Hotel. Escolhemos o Tokyu Stay Ginza, inaugurado em 2016, com quarto com mini cozinha e lava roupas. Recomendo. A viagem de metrô dura 30 minutos. Como a maioria das estações japonesas, em Ginza não é diferente, o local é equipado com elevadores, na maioria das vezes localizado nas extremidades das plataformas. São raras as estações que não contam com elevador. A maior dificuldade é para efetuar as trocas de linhas de metrô, algumas vezes, você pode ser obrigado a levar o carrinho pelas escadas. Fique atento às placas indicativas.

Aqui a criançada pira com a Disney Tokyo. Estivemos lá mesmo com um bebê de colo. As crianças éramos nós. O complexo Disney pode ser alcançado por metrô.

São dois parques: Disneyland e Disney Sea. A Disneyland foi inaugurada em 1983 e foi o primeiro parque do Mickey fora dos Estados Unidos. Bem parecido com os complexos americanos com Main Street e Castelo da Cinderela. Escolhemos o Disney Sea, a decisão foi perfeita se você tem somente um dia para conhecer o complexo. O espaço foi desenvolvido especialmente para o público japonês e é único. Te proporciona uma viagem ao redor do mundo pelos mares, com Mediterrâneo, Fundo do Mar, Centro da Terra, América e Arábias. Todos os detalhes impressionam, assim como as gigantes filas, lotação das atrações e lojas. Tem que ter muita paciência e coragem de encarar a longas jornadas nas filas para alguns brinquedos. Os japoneses são loucos pela Disney e consomem muito.

Há diversas atrações em Tóquio e nos arredores. Com criança não há como perder: o Parque Ueno com sua grande área verde, lagos, zoológico, Museu Nacional e o melhor para os pimpolhos o Museu Nacional de Ciências com sua gigante baleia azul; não há como deixar de ir no bairro moderno de Shinjuku com seus letreiros iluminados e muito comércio, o bebê delira com as cores vibrantes dos neons; o famoso cruzamento de Shibuya não pode ficar de fora, mas cuidado com as crianças pois há muita gente.

Ali também está a famosa estátua do cachorro Hachiko que por muitos anos foi até a estação de trem esperar seu dono já morto, a história foi imortalizada no filme americano Sempre Ao Seu Lado.

Harajuku é grande área cool da capital japonesa, onde a cultura pop mostra todo seu esplendor; uma das mais nova atração da cidade também levará as crianças a loucura, a Tokyo Skytree com seus 634 metros de altura.

Em todas estas atrações você poderá chegar de metrô e encontrará infraestrutura básica para te ajudar com o bebê e as crianças, como: banheiros, acessibilidade, restaurantes e mini mercados.

 

IDA PARA OSAKA

Novamente recorremos ao metrô direto da estação Ginza até o aeroporto de Haneda. Tudo tranquilo para a viagem com bebê. O voo foi com um gigante 777 da companhia japonêsa ANA, maravilhoso serviço.

Ao desembarcar no Aeroporto Itami, em Osaka, preferimos o ônibus até o centro, região de Namba. Este aeroporto é mais central e menor que o mais novo, Kansai. O Limousine Bus tem várias opções de destinos. O acesso é fácil logo na saída do desembarque. Até Namba são 30 minutos de viagem e custa cerca de R$20 para adulto, crianças pagam meia. Escolhemos aqui o Dormy Inn Premium Namba, bem localizado e bom custo benefício, mas quarto bem ao estilo japonês: minúsculo.

Para crianças destaques em Osaka: Universal Studios, destaque para as aventuras com Harry Potter e com os desenhos queridos no Japão: Snoopy, Sesame Street e Hello Kitty; Osaka Aquarium, (da Universal até aqui dá para ir de barco, ótimo passeio); na mesma área do Aquarium há uma roda gigante; Castelo Osaka, original de 1597, mas reconstruído após a Segunda Guerra Mundial, vai provocar a curiosidade das crianças.

 

IDA PARA KYOTO

Há várias opções para seguir a viagem de Osaka para Kyoto. São três tipos de trens que saem da estação central de Osaka: JR Tōkaidō Shinkansen (trem bala) rápido (15 min) e mais caro; JR Kyoto Line Limited Express cerca de 30 minutos de viagem e 20% mais barato que o Shinkansen e o mais econômico é o trem local que faz o mesmo trajeto também em meia hora, mas com o valor lá embaixo.

A estação de Kyoto está bem no centro com acesso ao metrô. Aqui ficamos no Sakura Terrace Hotel, perto da Estações de trem e de metrô, apesar do uso de ônibus ser bem fácil e vantajoso. Há um mapa de fácil entendimento com todas as linhas e trajetos dos ônibus urbanos. E existem linhas para todas regiões com acesso às atrações turísticas.

Kyoto é o berço e o coração do Japão. Foi a capital imperial antes de ser substituída por Tóquio. Aqui você encontrará templos, palácios e jardins. No mínimo três dias inteiros devem ser separados para este destino. Visitas imperdíveis são: Pavilhão de Ouro, Templo de Kiyomizu, Santuário de Fushimi Inari. Para crianças há o Zoológico e o Museu Ferroviário de Kyoto, mas elas vão aproveitar as atrações históricas, os parques e o centro antigo, bem ao estilo Japão imperial. Atenção somente para empurrar o carrinho ladeira acima para visitar alguns templos e nos parques onde o chão é coberto de pedregulhos.

 

IDA PARA NAGOYA

Aqui a escolha foi o JR Shinkansen (trem bala) que sai da estação central de Kyoto. São cerca de 35 minutos de viagem. Há vários trens a cada hora, não precisa reservar. É só compra a passagem e embarcar no trem. Não vejo necessidade de pagar mais pela reserva de assento, somente se viajar com um grupo grande e quiser garantir que todos fiquem próximos. Mesmo com bebê não achamos necessidade. Fiquei com dois assentos e minha esposa com o Pedro em outros dois.

O hotel escolhido novamente foi próximo a Estação Central de Kyoto, Daiwa Roynet Hotel Nagoya Shinkansenguchi. Escolhemos o local por ter fácil acesso ao transporte público e a linha direta ao aeroporto, de onde viajamos de volta aos Estados Unidos.

Principais atrações: o Museu de Ciências e suas instalações futurísticas; o Zoológico; o Museu da Toyota (a famosa construtora nasceu aqui e o Pedro se encantou com os carros);

Scmaglev Parque, conheça a história do trem bala, distante do centro; Oasis 21, área de comércio com sua praça suspensa repleta de água (o Pedro se encantou); e o Castelo de Nagoya, do século XVI, mas reconstruído após a Segunda Guerra.

 

PEQUENAS IMPRESSÕES

TRANSPORTE PÚBLICO – No metrô e nos trens de subúrbio, JR, há assentos especiais para as pessoas que viajam com bebê de colo. Já o carrinho, algumas vezes, você terá que espremê-lo entre as pessoas, além de levantá-lo para entrar no vagão. Mas se tiver alguma dificuldade no embarque é só pedir ajuda para o guarda de plataforma, há um em cada estação. Em Kyoto, especificamente, muitos trajetos são efetuados de ônibus e este pode estar superlotado dificultando o acesso do carrinho.

Por falar em Kyoto foi lá que tivemos a maior dificuldade em andar com o carrinho. Grande parte do acesso interno aos templos antigos é coberto de pedregulhos e o carrinho tipo guarda-chuva não roda.

TROCADORES – Uma das grandes facilidades em viajar com criança pelo Japão. Em todos os lugares é possível encontrar banheiros com trocadores. Em alguns há até papel para forrar o trocador. Muitas vezes ele está junto ao banheiro de deficiente ou em banheiros família. Há até em estações de metrô e parques. O melhor de tudo, eles são limpos. Mas para urgência, quando não encontrar um, usávamos o carrinho ou bancos de parques para fazer a troca de fralda.

ÁGUA QUENTE – Os japoneses são apaixonados por chá, o quê facilita a sua vida em fazer a mamadeira. Água quente não falta. Pode ser em máquinas em restaurantes e hotéis ou em chaleiras elétricas que podem ser facilmente encontradas nas habitações.

CADEIRÃO NOS BANHEIROS – À primeira vista você estranhará. Logo na entrada de alguns banheiros público há um cadeirão para você deixar a criança enquanto utiliza o espaço. A criança fica sentada com toda a segurança, basta você confiar. Estranhei bastante e só usei para tirar foto.

ACESSIBILIDADE – O Japão é o país do respeito ao cidadão. Calçadas, prédios públicos, transporte, etc., em todos os lugares haverá rampas e elevadores para empurrar o seu carrinho. São poucos lugares que uma escada surgirá como obstáculo, principalmente nas conexões do metrô e edifícios históricos. Nas ruas você nunca terá problema em andar com o carrinho de bebê. Todas as calçadas têm acessibilidade e não há buracos, e claro, nem sujeiras. As ruas também seguem o mesmo padrão, sem buracos. Tudo lisinho. Algumas ruas, assim como as faixas de pedestre, parecem que foram pintadas recentemente, ou melhor, no dia anterior.

SIMPATIA – O japonês é receptivo e simpático com o turista, apesar do inglês pobre. A comunicação muitas vezes é difícil, mas isto não vai impedir uma conversa por mímicas. Eles querem ajudar e adoram crianças. O Pedro, muitas vezes, parecia atração turística….de repente estava cercado por senhoras que o admiravam e queriam tirar foto! 🙂

 

Veja outra viagem que o Rafael Castilho fez com a família e contou aqui no Blog: Egito com crianças e bebês.

Leia também:
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Sut-Mie Guibert, Family Travel Blogger, Blogueira especializada em Viagens em Família e com crianças. Jornalista e mãe de duas meninas de 10 e 6 anos, adora levar as crianças para conhecer o mundo! Mas também gosta de escutar e falar sobre o assunto com outras famílias, que são sempre bem-vindas por aqui!

1 comentário para este artigo

  1. Merg Medeiros disse:

    Olá. Amei a matéria. Nos deixou bem mais animados com a viagem. Estamos planejando para abril do ano que vem. Nosso Benjamin terá 1 ano e 4 meses. Muito bom saber que não teremos problemas com acessibilidade e trocadores. Rsrs

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