Ficou fácil viajar com crianças!

Manaus e Amazônia com crianças

Uma das viagens mais impactantes dentro do Brasil é conhecer a Amazônia. Claro que podemos citar também Foz do Iguaçu, Pantanal, as Chapadas…para amantes de natureza, são um prato cheio. Estamos falando de Natureza de verdade: daquelas que impactam no primeiro olhar, pela grandiosidade das paisagens! Além da imensidão dos visuais naturais, fauna e flora, a Amazônia ainda apresenta um Brasil “original”, ligado às origens: a arquitetura colonial de Manaus, os encontros com índios e populações ribeirinhas… Uma viagem bem profunda e brasileira, que todos deveriam ter a oportunidade de conhecer, principalmente com crianças, a próxima geração defensora deste “Pulmão do Mundo”, um Patrimônio Natural da Unesco, que está dentro do nosso próprio país e do qual deveríamos nos orgulhar muito!

Esta viagem foi feita com a Agência Viajar com Crianças, nossa parceira oficial que lançou um conceito super inovador: um grupo de famílias com crianças e com acompanhamento de uma pedagoga e atividades constantes, que ajudaram a aprofundar os temas principais da viagem.

O roteiro que fizemos pode ser visto aqui, mas vou detalhar alguns pontos marcantes:

EM MANAUS

Para quem tem a dúvida, vale parar ali dois dias!
É uma cidade com um Centro interessante, bem colonial, com mais influências inglesas ou francesas, diferentes dos detalhes da colonização portuguesa que vemos em outras cidades.

Visite o histórico Mercado Adolpho Lisboa e aproveite para comprar algumas lembranças como objetos indígenas ou de madeira ou até comidas tais que castanha de caju ou farinha/farofa de Uarini (que vem em bolinhas, como um cuscuz marroquino) com vários sabores como alho ou pimenta vermelha. É bem interessante ver também as barracas farmacêuticas com diversas ervas, plantas e remédios caseiros.

Outra visita imperdível é conhecer o Teatro Amazonas. Existem visitas guiadas de 1h (que são interessantes mas, dependendo das crianças, pode ser um pouco entediante). Custa R$10/ adulto e crianças pagam meia-entrada. Se puderem entrar no Teatro, vale muito à pena, porque ele é um dos mais antigos e bonitos do Brasil! Nós tivemos sorte e havia uma programação gratuita do SESC (assim que chegar, pergunte ao Hotel a programação do Teatro ou tente ver pela internet). As crianças se sentiram verdadeiramente na época colonial, assistindo ao espetáculo a partir dos balcões individuais para 6 pessoas…
Até o café do Teatro vale a espiada, pois é bem antigo.
Se der tempo, experimente o restaurante Caxiri, que fica bem em frente ao Teatro: em um ambiente refinado e agradável, a chef Debora Shornik mistura sabores locais com uma pegada moderna e criativa.

Rapidamente descobrimos que em Manaus e na Amazônia, os rios são as “estradas”, por isso passeamos bastante de barco. No Porto de Manaus, é muito interessante ver os barcos regionais de viagem com as redes penduradas: aqueles que levam dias até Belém, Santarém ou outras regiões. Algo que eu mostrei para as crianças mas que a filha mais velha já tinha lido no livro da “Pilar na Amazônia” (#ficaadica).

Passeamos pelo Rio Negro, que é efetivamente denso e negro mesmo. Passamos por baixo da Ponte Rio Negro que existe somente desde 2011 e que liga Manaus a outra margem, formando 11Km de extensão!

Mergulho com botos cor de rosa

Antes que alguns leitores fiquem indignados com o assunto, prometo fazer um próximo post explicando vários detalhes, mas deixem-me falar das primeiras boas impressões: os animais ficam totalmente soltos no rio, só vêm os botos que quiserem. É claro que o fato de oferecer comida faz os animais voltarem e terem reflexos condicionados. No entanto, como eu disse, os animais estão absolutamente soltos e são monitorados pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia) e a visita segue várias regras, como:

  • obrigatoriedade de usar coletes,
  • As crianças que têm medo e não sabem nadar podem ficar em uma plataforma com água pela cintura,
  • ninguém pode gritar,
  • não pode colocar filtro solar (que polui a água e machuca os olhos dos animais – é melhor ter boné e blusa anti UV). Por isso, cuidado para não chegar já colocando filtro solar na criança!
  • Pode passar a mão nos animais, mas não agarrá-los. Eles são da família dos golfinhos e é verdade que são muito simpáticos, mas não deixam de ser selvagens.

Em geral, as crianças e adultos adoram…outras ficam um pouco impressionados pela água escura e tamanho dos animais, que são grandes e aparecem do seu lado de repente. Por isso optam por observar e tirar fotos do deck mesmo. É uma visita muito gostosa para todos, principalmente porque sempre ouvimos falar muito desse animal (em diversas legendas), mas raramente já o vimos ao vivo.

Visita aos índios Dessana (veja o post)

É muito emocionante ver os Índios de perto e dançando, mesmo se há “um quê” de turístico. Por outro lado, a intenção dessa antena indígena (em relação à tribo que fica bem mais dentro da mata) é justamente mostrar um pouco da cultura e trabalhar com o turismo, portanto é bem interessante ainda assim: os trajes, os índios, homens, mulheres e crianças, o vilarejo com as ocas e até campo de futebol e a explicação de alguns hábitos alimentares peculiares. As crianças e adultos adoraram!

Restaurante flutuante

É emocionante passear por dentro dos afluentes do Rio Negro: passar do rio larguíssimo para pequenos afluentes apertados cheios de vegetação e sair novamente em partes mais largas com verdadeiros vilarejos flutuantes. A vida local das casas flutuantes, mercados, igrejas e escolas (aliás, o ônibus escolar de lá é na verdade um barco, claro!) 🙂 é muito interessante e diferente para as crianças verem e aprenderem.

Os restaurantes também são flutuantes e simples, como tudo por ali; mas com uma comida fresca deliciosa! Vale provar o famoso pirarucu e a costela de Tambaqui (outro peixe) na brasa. O interessante é que viajando em grupo de famílias, as crianças se juntam e começam a querer comer separados. Como disse o nosso guia: para elas havia o “piraruKids“, peixe empanado em pedacinhos. 🙂

Ver Vitorias Régias

A famosa planta amazônica faz parte de muitas lendas indígenas. Dependendo da época, as vitórias régias terão folhas bem grandes, até 2,5 metros de diâmetro e podem aguentar um peso de até 40Kg, se bem distribuídos! Outra particularidade: quando as folhas são jovens, algumas ainda não são redondas e podem ter a forma de coração…

“Pescar” o PIrarucu

Uma experiência bem diferente: conhecer o peixe mais famoso da região, o pirarucu, e fazer “tentativas de pesca” dele. Digo “tentativas”, porque descobrimos que o pirarucu adulto pode crescer até 3m de comprimento e pesar cerca de 250Kg!! Sim, ele é um dos maiores peixes de águas doces fluviais! Sendo assim, é impossível pescá-lo de forma leiga mas, para entendermos a força do peixe (que é comprido e se contorce todo) e o peso dele, os criadores tem varas de pescar grossas e colocam peixinhos na ponta; quando o pirarucu morde a isca, tentamos tirá-lo da água e entendemos o quanto ele é pesado e o quanto deve ser difícil essa pesca! Algo impressionante! É interessante vê-lo de perto e descobrir suas características, já que esse é um dos principais pratos da região e vocês vão encontrá-lo várias vezes no menu.

O Encontro das águas

Durante um dos passeios de barco, é possível ver o encontro das águas entre os Rios Negro e Solimões, o maior fenômeno natural da Amazônia.  Como os dois rios tem densidades e acidezes diferentes, não se misturam: um é o Rio Negro, denso e escuro mesmo; o outro é mais “líquido”, se me permitem a expressão, e cor de café com leite, mais barroso. As crianças ficaram espantadas com a “descoberta” e várias levaram um pouco do Rio Negro em garrafas para mostrar na escola.

Após essa introdução à Amazônia, a melhor parte é se inserir mais na Natureza e ficar em Hotel de Selva em Novo Airão, a 195Km de Manaus. O trajeto pode ser feito de barco ou de carro. Dentro da Selva, vocês vão poder entender a imensidão e força desse canto do Brasil!

Passeios interessantíssimos com a Viajar com Crianças, que fizeram muita diferença em relação à passeios tradicionais de outras agências, até porque aqui, há um trabalho e material feito com pedagogos:

Trilhas Interpretativas

Fizemos trilhas (leves) na floresta e conhecemos dicas da fauna e flora e como os caboclos e índios se adaptam tão bem na selva: conhecemos formigas que servem de repelente, larvas de coquinho que são comidas como iguarias, formigas venenosas e perigosas, plantas que filtram água da chuva… e inclusive, vimos uma das maiores árvores da Amazônia, a imensa Samaúma, que pode chegar a 65 m de altura e só pode ser abraçada se formos um grupo grande de pessoas! Para dezenas de tribos indígenas a samaúma é sagrada, cultuada como a mãe da Humanidade. Detalhes que descobrimos com o trabalho pedagógico do grupo.

Passeio de barco e canoas

É uma viagem onde se passeia quase que diariamente de barco, já que, como disse acima, os rios são as estradas por lá. Andar de lancha por essas águas escuras e densas é muito gostoso e é bacana ver a floresta sob outro ângulo; mas também é muito interessante conhecer os igarapés (“caminho de canoa” em tupi) em embarcações locais, canoas caboclas de madeira. Navegamos mata adentro e na época das cheias, as copas das árvores ficam inundadas (igapós) e se refletem na água negra. A paisagem é linda e a experiência de remar nessas florestas e silêncio é marcante.

Encontro com comunidades ribeirinhas

Como andamos de canoas ou lanchas, encontramos diversas comunidades ribeirinhas. Fazemos paradas em algumas delas e descobrimos suas casas, escolas, seus moradores e formas criativas de viver na beira do rio e no meio da floresta. As crianças conhecem outras crianças ribeirinhas e aprendem muitas coisas: veem que a diversão das crianças locais é brincar com os bichos da natureza, macacos, araras e como a tecnologia não existe, a diversão é fazer bolinhas de gude de palha, brincar com zarabatana ou fazer coleção de pedras do rio. Algumas comunidades nem tem eletricidade ou têm há pouco mais de um ano. Lições de vida emocionantes, onde as crianças do grupo entendem o quanto são privilegiadas e também o quanto podemos ser felizes com pouco. 

As crianças aprendendo como se faz a farinha de mandioca

Brincando com simplicidade, longe da tecnologia

Descobrindo a beleza das crianças das comunidades ribeirinhas e seu modo de vida

Focagem de jacaré

Um passeio que é feito novamente de barco, à noite. Os jacarés ficam debaixo da vegetação na beira do rio e os guias buscam os bichos com lanternas. No escuro, só conseguimos ver os olhinhos que brilham mas os guias são experts e sabem “dar o bote” e pegar alguns deles, só para observamos as características dos animais: a pele, os dentes, os olhos que fecham na vertical…

“Pesca” de piranha

Foi interessante mostrar esses peixes para as crianças que, apesar de serem pequenos, têm um monte de dentes e são capazes, em cardume, de atacar um outro animal. As piranhas não foram efetivamente pescadas: elas foram fisgadas, tiramos fotos, mostramos os dentinhos para as crianças e elas foram soltas na água novamente.

Amanhecer na floresta

Esse é um passeio que é bem cedo mas que vale muito à pena porque se trata de um nascer do sol muito especial: o sol aparece alaranjado, vermelho e se espelha na água escura do rio. Uma cena mágica que acontece no silêncio da selva amazônica.

Trabalho pedagógico
Como uma pedagoga acompanha o grupo durante toda a viagem, várias atividades serão feitas para despertar e desenvolver a consciência ecológica das crianças e estreitar os laços familiares. Esse trabalho será diário e acompanha a programação do roteiro, ajudando a compreender e fixar melhor tudo o que foi visto e vivido.

 

Este roteiro é interessantíssimo, porque a Viajar com Crianças vai além do simples turismo com os passeios tradicionais e oferece vários diferenciais para proporcionar uma viagem mais profunda, ainda mais inesquecível!

O próximo grupo parte em Julho, de 16 a 22 de Julho de 2019. Veja os detalhes e preços. Para dar uma atenção realmente dedicada, o grupo é pequeno e seleto, portanto se tiver interesse é bom se apressar. E antes que você me diga que está caro, lembre-se que o euro e dólar estão nas alturas e que a Amazônia definitivamente merece toda a sua atenção!

* Viajamos com o nosso parceiro oficial, a Agência de viagens Viajar com Crianças, e conhecemos o roteiro Amazônia em grupo. Recomendado para crianças acima de 4 anos. 

Mais fotos desta viagem no instagram @viajandocompimpolhos, hashtag #pimpolhosnaamazonia

Para mais informações:
Viajar com Crianças: www.viajarcomcriancas.com.br ou (11) 2639-5776 | Facebook | Instagram

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Sut-Mie Guibert, Family Travel Blogger, Blogueira especializada em Viagens em Família e com crianças. Jornalista e mãe de duas meninas de 10 e 6 anos, adora levar as crianças para conhecer o mundo! Mas também gosta de escutar e falar sobre o assunto com outras famílias, que são sempre bem-vindas por aqui!

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